“Quando a luz da manhã desponta, você vê a destruição que causou, sem nem sequer saber onde está…”
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Eu, geralmente, começo um post com uma foto ou ilustração para despertar a curiosidade sobre o tema, mas hoje começo com este trailler…
“Valsa com Bashir ” (Waltz with Bashir – 2008) é um documentário em animação sobre o massacre de palestinos durante a guerra entre Israel e Líbano, ocorrida em 1982. Dirigido por Ari Folman, o filme gerou polêmica antes mesmo de ser rodado, ainda na captação de recursos, todo mundo questionava o genero: animação ou documentário. Primeiro tudo foi gravado em vídeo, como um documentário simples e depois transformado em animação. Então na verdade o documentário também era animação e o resultado é este ai… A história desde jovem soldado (no caso Ari Folman) que é obrigadao a ir na guerra e e estar no front de batalha, naquele verão de 82 ficou guardado na memória de muita gente e por causa deste resgate que o cineasta começa a entrevistar seus colegas e especialistas para trazer a tona o que sua memória tentou apagar. A todo momento ele se pergunta porque não lembra desta passagem da sua vida com clareza, tudo vem em flashes. Com apenas 19 anos sua luta é mais para sobreviver do que efetivamente combater… através de um bate papo ele descobre e revive os momentos brutais que passou na guerra.
Veja entrevista do diretor Ari Folman para o programa Metropolis (Clique aqui) Uma obra primorosa com roteiro bem amarrado e estética inovadora. O filme faz um paradoxo da profusão de sentimentos de uma pessoa que está a todo momento sendo testemunha de algo que nem sempre se acredita, um falso nacionalismo. Através de entrevistas com ex-combatentes, especialistas e por meio de pesadelos, sonhos e devaneios sobre o tema, a Valsa com Bashir é uma reflexão sobre os horrores daquele ataque, pela visão dos homens que tinham a obrigação de lutar. Folman propõe com este DOC, uma reconstrução das suas recordações e um debate sobre a imprudência e consequencias de uma guerra. Abaixo alguns dados curiosos que vi em alguns sites sobre o filme…
FOTO: Soldado e o retrato no fundo de Bashir Gemayel
O Bashir a que o título se refere é Bashir Gemayel, comandante de milícias cristãs de extrema-direita libanesas. Em agosto de 1982, ele assumiu a presidência do Líbano, depois de controvertida eleição. Próximo dos dirigentes de Israel, firmava com eles alianças políticas e militares para afastar os palestinos e muçulmanos do país. Foi assassinado em 14 de setembro daquele ano. Dias depois, milícias cristãs, em revanche, perpetraram os massacres de Sabra e Shatila, campos de refugiados palestinos do Líbano, com a anuência das forças israelenses. Folman estava lá, no meio do exército israelense. O detalhe é que já havia a informação, dos serviços secretos de Israel e do Líbano, de que lideranças sírias, e não os palestinos, haviam assassinado Bashir. ![]() Todas as cenas são feitas em animação – desde os sonhos até os ataques aéreos. Mesclando desenhos em 2D e 3D, utilizando traços de contornos grossos, marcantes e cores chapadas, a produção possui uma estética gráfica influenciada pelos quadrinhos de Art Spiegelman. As cenas de guerra, coloridas, acompanhadas por uma forte trilha sonora punk – que lembra um ambiente psicodélico, ligadão -, são seguidas por outras com estética maislimpa, em que predominam cores frias, tons pastéis, quase sem ruídos – cenas que remetem à ressaca pós-droga. A maneira como os fatos são apresentados é umaviagem através das imagens marcantes dos desenhos, de onde, ao final, o espectador é despertado de forma definitiva (não vale contar o final do filme). É uma alusão ao choque de consciência resultante da tomada de conhecimento quanto aos fatos da guerra (e talvez das consequências do uso de drogas), fazendo um paralelo com o despertar das lembranças do próprio Ari Folman.
Como linguagem documental, o filme segue a vertente da participação do documentarista na história. Ele apresenta não só os fatos históricos de guerra (durante as narrativas dos combatentes) mas também estados de consciência e sonhos do protagonista/diretor. A utilização da linguagem animada é especialmente positiva nesses momentos, já que a expressividade de sensações encontra sintonia com o lirismo dos desenhos. A possibilidade surreal da animação merece destaque em dois momentos: durante a descrição de um estado de embriaguez de Folman, pouco depois do embarque dos soldados para o Líbano, onde ele se sente como que levado sobre a barriga de uma mulher através dos mares; e na cena da chegada a Beirute, em que um soldado israelense dança numa das ruas da cidade, disparando uma metralhadora, tendo o cartaz de Bashir Gemayel ao fundo. O documentário recebeu indicação para o Oscar 2009 e ganhou o Globo de Ouro e o Festival de Cannes – era o único concorrente longa em animação. ![]() *FOTO: Ari Folman Prêmio Cesar Agora algumas informações que muito interessam a quem vive neste mundo audivisual… ou seja, nós!!! Quanto à utilização das técnicas de animação, Valsa com Bashir merece algumas ressalvas na exatidão da representação de alguns movimentos (um tanto duros), notiming, mas essas imperfeições não afetam ou diminuem a força das imagens, que parecem fazer parte de um estilo da direção de arte composto para a narrativa. Ari Folman tem sido apontado erroneamente como o criador de um “subgênero de documentário”: o documentário animado. Assim como contar fatos através da animação é muito mais comum e antigo que o alcance da lembrança da maioria dos críticos de cinema, a animação enquanto linguagem não é subgênero de qualquer outro gênero de cinema tipo vida-real. Winson McCay já registrava em seus desenhos (1918) o naufrágio do Lusitânia, ocorrido em 1915, já que na época não havia registro de imagem real de acidentes.
A utilização de animação para retratar o mundo o imaginário ou lembranças é mais usual ainda. No Brasil temos dois exemplos marcantes: a sequência da lembrança da infância do personagem André (Lázaro Ramos), no filme O Homem que Copiava (2003), de Jorge Furtado, e a primeira cena da novela Bang Bang (Rede Globo, 2006), que contava um fato passado (o assassinato de uma família) que deu origem a uma vingança, conflito principal da trama. Sinopse: Em um bar um amigo conta ao diretor Ari Folman
sobre um sonho constante que tem, no qual é perseguido
por 26 cães ferozes. Através da conversa eles concluem que
a imagem tem ligação com sua missão na 1ª Guerra do Líbano,
no início dos anos 80, quando defendia o exército de Israel.
Como Ari nada se lembra sobre o evento, ele passa a buscar
e entrevistar seus velhos companheiros da época.
Elenco: Ron Ben-Yishai, Ronny Dayag, Ari Folman, Dror Harazi, Yehezkel Lazarov, Mickey Leon, Ori Sivan e Zahava Solomon Título Original: Vals Im Bashir Direção, produção e roteiro: Ari Folman Animadores: Yoni Goodman e David Polonsky Realização: Israel, Alemanha e França, 2008 (90 min) |
um beijo e até o próximo post
m.







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